Deambulações pela cidade

O som ensurdecedor  de uma manif, impunha-se, a estátua de Luís Vaz de Camões não sobrevivia à cacofonia,  num cartaz apelava-se para a necessidade de ser crítico, estar presente e fazer uso da palavra, mas estas nãos as ouvi, o ruído não as abafava, substitui-as, desci a rua do Alecrim e fui salva pelo cheiro das castanhas que invadia o ambiente,  hoje até a Pensão do Amor numa paleta de tons vermelhos a esgueirarem-se por entre os lustres amarelecidos me pareceu mais bela, havia senhoras sentadas nos sofás a fumarem cigarros e a retocarem a maquilhagem, nos espelhos, nos muitos  espelhos onde telas com corpos nus se faziam reflectir.

 

publicado por Isabel Afonso às 23:50 | link do post | participe