Gólgota

Penso que ninguém estará interessado em saber que detesto ir ao cabeleireiro, detesto cabeleireiras e dou o benefício da dúvida aos cabeleireiros, sobretudo se forem gays, hoje foi dia de martírio e só entrei porque estava lá o wesley, começou a usar óculos, está mais maduro e sereno, há uns tempos as invejosas chispavam fogo pelos olhos, tiravam-lhe os materiais, era um desassossego toda a gente gostava de ver o Wesley em sobressaltos.

Para me defender das conversas e tricas levo sempre um livro, nada muito pesado, coisas leves até porque não posso pôr óculos com o cabelo cheio de tinta, desta vez e de acordo com a época "O Evangelho segundo Jesus Cristo", até porque estou indignadíssima com a forma como Saramago descreve Maria Madalena, como se perde num decote e alinha no cliché  denegrindo a reputação das loiras, fiquei desagradavelmente surpreendida.

Wesley, como só ele sabe vai dizendo entre tiques:

- Nossa, como foi possível crucificar um homem tão lindo? Esse tal de Saramago, bem podia ser crucificado, ele e a espanhola.

- Como tens razão Wesley, se as loiras são putas então a espanhola que mostre como se ama um homem na cruz, provavelmente envolta num vestido vermelho para seduzir o moribundo.  

publicado por Isabel Afonso às 03:21 | link do post | participe