Vadiagem

Custava-lhe não ficar com ela, a constante companheira de uma vida, envelhecera, o corpo pedia-lhe alimento para o ego, porque a alma deixara-a algures em lugares de onde fugiu por outros motivos, fugia sempre, às vezes até se dava ao requinte de se fazer abandonar para não carregar culpas, fugir, era essa a sua condição, acabaria algures numa lura enroscado sobre si próprio e sem saída de emergência, o que parecia simples, uma casa, um gato, um cão a chuva lá fora, tornara-se um monstro absurdo, ela lamentava mas tudo a transcendia.

 

publicado por Isabel Afonso às 00:32 | link do post | participe