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Delicatessen

espaço destinado a pequenos prazeres

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Poemas sem pátria

Maio 26, 2012

Isabel Afonso

O meu Engels há-de partir
os dentes ao teu Engels
O meu Lenine há-de esmigalhar
os ossos ao teu Lenine
O nosso Estaline há-de meter
uma bala na nuca do vosso Estaline
O nosso Trotzki há-de rachar
a cabeça ao vosso Trotzki
O nosso Mao há-de afogar
o vosso Mao no Yang tse
para que deixe de obstruir
o caminho da vitória
Erich Fried
in 100 Poemas sem Pátria
Publicações Dom Quixote, 1979
Trad. Teresa Balté

Solidão

Maio 26, 2012

Isabel Afonso

Ela caminha

magra

delicada

dedos finos

uma chávena de café

por vezes de chá

um papel

uma caneta

uma tela

uma foto

uma lembrança

a recordação de um momento

a fuga à mesquinhez

abraça-me, a solidão

sinto-lhe

os ossos

as carnes secas

um gato preto

outro branco

as cerejas na taça

um embaraço

um chapéu de chuva

uma uva

um pincel de cerdas de marta

um nó

na garganta

uma lágrima com gente dentro

um desgosto

e um gosto

 

 

 

Ao meu aluno António

Maio 20, 2012

Isabel Afonso

Eu disfarço bem mas não me me engano a mim mesma, tenho alunos preferidos, sim, os emocionalmente inteligentes? não.

Não teremos hipóteses, eu e ele, eu vou ajudá-lo a encaixar-se neste espartilho existencial para o qual nem eu nem ele temos a menor vocação, embora não pareça, António, eu gosto muito dessa tua irreverência e até da tua má educação, gosto mesmo, mas não pode ser meu lindo!

Para essa tua recorrente pergunta "Porquê?" Tenho uma resposta que os senhores das inteligências emocionais me impingiram, porque ainda

me fazes desfazer o personagem e dizer-te para NADA, António.

 

Estilhaços de um romance (21)

Maio 09, 2012

Isabel Afonso

Chegaram a um acordo tácito desses que se estabelecem pela cumplicidade dos olhares, pegou-lhe na mão, desceram as escadas, e saíram pela porta que dava acesso ao pátio interior, o sol punha-se, havia erva alta e seca, um caminho ladeado por pedras alinhadas, pintadas de branco, entre a erva adivinhava-se uma clareira.

Ela parou junto à porta, ele encostou-se a ela e beijou-lhe os ombros , baixou-se e descalçou-lhe as sandálias, ela ficou descalça, disse-lhe então que fosse por aquele caminho de pedras que ele iria ter com ela logo que pudesse.

Ela caminhou, na clareira havia cinza a contorná-la e bichinhos com o cio vagueando por ali, deitou-se, escurecera um pouco, os pirilampos dançavam luz, ajeitou o vestido de cambraia, bordado a ponto pé de flor e para parecer ousada, inventou uma semi nudez quase natural.

 Ele fez-se demorar, chegou quando já era noite...

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