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Delicatessen

espaço destinado a pequenos prazeres

Delicatessen

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Attenberg II (rascunho)

Junho 30, 2012

Isabel Afonso

A tribo estava zangada com ela, ausentara-se, não lhe perdoavam, queriam saber o que fizera com o tempo, ainda que tivesse estado doente, não lhes pedira que por ela carpissem, privara-as daquela cena em torno de uma cama de hospital onde todos e cada um à sua maneira partilham comentários, quantas horas no bloco operatório... ainda está sob o efeito da morfina...nunca mais vai ser a mesma ...etc...

 Voltara, teriam de se confrontar então com uma poderosa fêmea que a quase todos convinha que estive ou morta ou louca, arranjara forma de ser adversária em quase todos os tabuleiros de um jogo que por vezes lhe saía caro, concluiria o mestrado em Gestão Escolar, não sabiam...se soubessem apedrejavam-na.

As fêmeas que agora faziam parte da tribo, tinham sido avisadas, olhavam-na desconfiadas mas curiosas, queriam cheirá-la, durante algum tempo guardou as devidas distâncias e depois deixou-se tocar, ela, sabiamente correspondeu, ofereceram-lhe flores e bolos, ingeriu algumas calorias a mais e cheirou as flores.

Os homens do grupo foram solidários, sem interferirem com os poderes das matriarcas, ofereceram-lhe sorrisos, deram-lhe o braço para a equilibrarem na escalada, a chefe do grupo admirava-a sabia como era competente naquilo que fazia, não lhe suportava a arrogância, às vezes dava por ela a rir-se de tudo aquilo, era desconcertante.

 

 

Última paixão

Junho 29, 2012

Isabel Afonso

Meu amor veio para matar

fê-lo sem navalha

nem sangue no lavatório

nem dedadas na parede

Meu amor veio para matar

Um assassino com jeitos de menino

Meu amor chegou

Inventado no passado

de trilhos bem profundos

Meu amor, matou

em jeito de flashback

que sem sentido

eu projectava para o presente

Meu amor nem quis saber

Matou

Um outro, e ausente assim o permitiu

Meu amor embora menino

sabia quais as linhas

que cosem os golpes de uma paixão

Meu amor não me poupou

Ainda trago no peito essa dor

Na esperança que o ente ausente

se instale de novo no meu coração

 anacronia simétrica dos meus ventrículos

estratégia de fuga ao centro das coisas

embora ele lá estivesse sempre

(rascunho editado)

 

 

 

 

Persona

Junho 17, 2012

Isabel Afonso

Vou gastar o que resta de mim, expor o corpo, explorar outras dentro de mim, rasgar a pele, vestir outra, lisa por fora e verde por dentro, não sei, talvez esta ou talvez aquela, esta não posso, esta vai exigir muito de mim, esta, quero esta, os cabelos brancos, tão brancos como outrora foram pretos, pouca carne para andar ligeira, os sapatos, esses quero-os de salto alto, onde o meu esqueleto dance bem titubeante, uma persona, uma pessoa, um amigo aqui outro ali, uma linha de coca, um livro para ler, um gato preto, outro branco, uma miúda cá em casa que quer ser pintora, quer que a ajude a crescer e eu quem me ajude a morrer.

 

Ensaio sobre a cegueira

Junho 10, 2012

Isabel Afonso

"É um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."

Palavras de José Saramago sobre o livro " Ensaio sobre a cegueira"

Um bom Deus

Junho 10, 2012

Isabel Afonso

 Ajoelhar-se diante de Deus e pedir. O quê? A absolvição . Uma palavra tão larga, tão cheia de sentidos. Não era culpado - ou era? de quê? Sabia que sim, porém continuou com o pensamento- não era culpado, mas como gostaria de receber a absolvição.Sobre a testa os dedos largos e gordos de Deus, abençoando-o como um bom pai, um pai feito de terra e de mundo, contendo tudo, tudo sem deixar de possuir uma partícula sequer que mais tarde pudesse lhe dizer : sim, mas eu não lhe perdoei"

Clarice Lispector

Hino à pasmaceira

Junho 09, 2012

Isabel Afonso

O planeta não precisa de mais "pessoas de sucesso". O planeta precisa desesperadamente de mais pacificadores, curadores, restauradores, contadores de histórias e amantes de todo tipo. Precisa de pessoas que vivam bem nos seus lugares. Precisa de pessoas com coragem moral dispostas a aderir à luta para tornar o mundo habitável e humano, e essas qualidades têm pouco a ver com o sucesso tal como a nossa cultura o tem definido.

(Dalai Lama)

Grandes homens perante a sensualidade

Junho 07, 2012

Isabel Afonso

"A sensualidade ultrapassa muitas vezes o crescimento do amor, de forma que a raiz permanece fraca e arranca-se facilmente."

Friedrich Nietzche

"O sentido do trágico aumenta e diminui com a sensualidade."

Friedrich Nietzche

 "Não existe antídoto mais poderoso contra a baixa sensualidade do que a adoração da beleza."

Denis Diderot 

  "As sensações são os detalhes que constroem a história da nossa vida."

Oscar Wilde

"É preciso ser sensual para ser-se humano."

Anatole France

"É mais sensual uma mulher vestida do que uma mulher despida. A sensualidade é o intervalo entre a luva e o começo da manga."

António Lobo Antunes

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