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Delicatessen

espaço destinado a pequenos prazeres

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espaço destinado a pequenos prazeres

rascunho para um sentimento

Janeiro 06, 2014

Isabel Afonso

SEXO, havia entre eles uma brincadeira de meninos, aquele apartamento da avó Matilde em Alcântara, reformulado recentemente, era o ninho, tudo reduzido ao mínimo, era perfeito, ela e eles, dois rapazes, de bocas lindas e sorrisos fáceis.

João, gostava de complicar para que Pedro se zangasse, vertia o uísque sobre o lençóis,  abria a janela em ocasiões inoportunas, havia entre os dois uma briga constante a propósito de pormenores.

Pedro, tinha por hábito permanecer calado, agia apenas quando considerava o seu território invadido, havia entre eles uma linguagem quase tácita, uma dança que o tempo tece, talvez fosse a natureza ambígua dos genitais de Pedro que o justificasse.

Quando ali se refugiavam tudo o resto deixava de interessar, ela fazia amor com os dois, mas eles não se relacionavam fisicamente um com o outro.

Não entender fazia parte do jogo, porque não entender era colocar em equação todas as possibilidades; se alguma vez lhe passou pela cabeça pedir esclarecimentos, nunca o fez, no meio não precisava de disputar o edredon que ambos puxavam para se cobrirem.

 

 

 

 

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