Persona

Vou gastar o que resta de mim, expor o corpo, explorar outras dentro de mim, rasgar a pele, vestir outra, lisa por fora e verde por dentro, não sei, talvez esta ou talvez aquela, esta não posso, esta vai exigir muito de mim, esta, quero esta, os cabelos brancos, tão brancos como outrora foram pretos, pouca carne para andar ligeira, os sapatos, esses quero-os de salto alto, onde o meu esqueleto dance bem titubeante, uma persona, uma pessoa, um amigo aqui outro ali, uma linha de coca, um livro para ler, um gato preto, outro branco, uma miúda cá em casa que quer ser pintora, quer que a ajude a crescer e eu quem me ajude a morrer.

 

publicado por Isabel Afonso às 00:14 | link do post | participe